Frank Sinatra transmitiu seu amor pela música à neta AJ Lambert

Fev 13, 2021 by apost team

Frank Sinatra é um dos maiores ícones da indústria musical. Seu nome é frequentemente citado como um dos cantores mais influentes e talentosos do século XX. Com grandes sucessos, como "My Way" e "I've Got You Under My Skin", Sinatra ganhou seu lugar no panteão dos maiores cantores e intérpretes da história. Para completar o pacote, o americano de Nova Jersey também foi um talentoso ator. Ele ganhou um Oscar por sua performance em "A Um Passo da Eternidade."

Com tamanho talento, os outros membros da família poderiam facilmente ter sido ofuscados, mas esse não foi o caso. Dois de seus filhos, Nancy Sinatra e Frank Sinatra Jr., cresceram e conquistaram carreiras musicais de muito sucesso. Sua neta AJ Lambert, uma musicista com seu próprio grande talento, também seguiu os passos avô. Recentemente, Lambert compartilhou sua história, falando sobre a ligação com seu famoso avô e os últimos meses de sua vida.

Início humilde

Frank Sinatra, (Bettmann/Getty Images)

Frank Sinatra iniciou sua vida sem nenhum status ou luxo. Para falar a verdade, seu nascimento foi um momento bastante difícil. Ele nasceu em Hoboken, Nova Jersey (EUA), em 12 de dezembro de 1915. O trabalho de parto de sua mãe foi interrompido, e Sinatra foi extraído com o uso de fórceps. Durante o procedimento, seu rosto foi machucado e ficou com cicatrizes.

Quando criança, Sinatra costumava cantar por dinheiro no bar de seus pais. Ele descobriu que adorava cantar bem cedo, muitas vezes tentando imitar seu ídolo, Bing Crosby. O jovem Sinatra entrou para o grupo de canto do colégio e logo passou a se apresentar em bares além do de seus pais. Em pouco tempo, o artista já estava cantando no rádio.

Sinatra conseguiu convencer um trio de cantores conhecido como os 3 Flashes a aceitá-lo no grupo e a banda posteriormente ficou conhecida como Hoboken Four. Eles conquistaram o prêmio de primeiro lugar em um concurso de canto e continuaram a se apresentar no palco e no rádio.

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Ganhando reconhecimento

Frank Sinatra (1944), (Michael Ochs Archives/Getty Images)

Até mesmo os artistas mais talentosos precisam ser descobertos, e não foi diferente com Frank Sinatra. Suas apresentações ao vivo e no rádio chamaram a atenção de Harry James. O cantor deu a Sinatra a oportunidade de fazer sua primeira gravação da música "All or Nothing at All", o que, é claro, lhe trouxe muitas outras oportunidades, entre elas um convite para se juntar à banda de Tommy Dorsey.

Aliás, foi a influência de Dorsey que ajudou Sinatra a criar seu estilo de canto característico, que nós tanto conhecemos e amamos. Dorsey era um grande solista que conseguia esticar as passagens musicais de forma impressionante - parecia até que ele não precisava parar para respirar. Sinatra ficou tão deslumbrado com esse estilo que estudou o líder da banda em uma tentativa de descobrir como ele pegava o fôlego. Depois de meses de prática, que incluía segurar a respiração debaixo d'água enquanto nadava, Sinatra aprendeu a técnica de Dorsey. Como a revista Rolling Stone relata, Sinatra disse mais tarde: "Isso fez com que a melodia se tornasse fluida e ininterrupta... e foi isso que me fez soar diferente".

Juntar-se a Dorsey revelou-se ter sido uma excelente decisão de Sinatra. A colaboração dos dois levou a muitas músicas de sucesso, mas o jovem queria mais. Sinatra queria embarcar em sua própria carreira solo. E foi exatamente isso que ele fez.

Uma carreira solo extraordinária

Frank Sinatra, (Ann Ronan Pictures/Print Collector/Getty Images)

Sinatra assinou com a Columbia Records em 1946. Ele não perdeu tempo em lançar seu álbum solo de estreia,"The Voice of Frank Sinatra". Esse álbum icônico incluiu muitas músicas de sucesso como "Try a Little Tenderness" e "These Foolish Things". Seus empreendimentos solo foram um enorme sucesso, alcançando o primeiro lugar no ranking da Billboard por sete semanas, e passando dezoito semanas no total nas paradas.

Nessa época, seu nome estava ficando cada vez mais conhecido, e sua reputação e legião de fãs aumentavam a passos largos. Logo ele estava ganhando diversos prêmios musicais e expandindo sua carreira no campo da atuação.

A chamada Sinatramania tinha se instalado e, a essa altura, havia meninas e mulheres completamente apaixonadas por ele em todos os lugares. No entanto, mesmo com tanta comoção, Sinatra manteve a cabeça no lugar, mais tarde dizendo:

"Perfeitamente simples: foi a época da guerra e havia muita solidão, e eu era o rosto em todas as farmácias das esquinas, o garoto que foi recrutado para a guerra. Isso é tudo."

Mas isso não impediu a sua popularidade, que só cresceu e garantiu a ele um lugar especial no grupo Rat Pack.

Envolvimento com o Rat Pack

Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis, Jr, Peter Lawford, Joey Bishop (1960), (CBS Photo Archive/Archive Photos/Getty Images)

A carreira do Sinatra o levou ao Caesar's Palace e a Las Vegas. Enquanto cantava lá, ele fez grandes amizades com Sammy Davis Jr., Peter Lawford, Dean Martin e Joey Bishop. Sinatra deu o nome de "The Rat Pack" ao grupo de amigos, que oferecia entretenimento de alta qualidade ao público, cada um com sua grande personalidade e talento.

Dando início ao célebre grupo de amigos que se reuniu inicialmente na casa de Humphrey Bogart e Lauren Bacall depois que Bogart faleceu em 1957, Sinatra, Martin e Davis Jr. tornaram-se os líderes do grupo. As aventuras do Rat Pack continuou até os anos 60, e os membros mais famosos fizeram um reencontro nos anos 80, quando Sinatra, Martin e Davis Jr. embarcaram em uma turnê de 27 dias intitulada "Juntos novamente". No entanto, apesar da fama do Rat Pack, o grupo aparentemente não gostava muito do nome, pois Sinatra referiu-se a ele como "aquela frase estúpida" em uma entrevista coletiva para a turnê.

Fora do palco, Sinatra definitivamente tinha problemas com vícios, como a bebida e a jogatina. Além disso, havia muitos rumores sobre seu comportamento mulherengo. A vida pessoal do cantor certamente era complexa, pois ele foi casado quatro vezes e teve três filhos. Sua primogênita, Nancy Sinatra, teve uma filha chamada Angelica Jennifer Lambert, ou, AJ Lambert, como ela é conhecida, que herdou o amor de seu avô pela música e criou com ele uma conexão especial.

Filha de Nancy Sinatra

Frank Sinatra, Nancy Sinatra (1966), (Bettmann/Getty Images)

AJ Lambert é filha de Nancy Sinatra Lambert e Hugh Lambert. Sua mãe interpretou o grande sucesso,"These Boots Are Made for Walkin'", e atuou em diversos filmes como "O Bacana do Volante" e "Last of the Secret Agents" (O último dos agentes secretos, em tradução livre). Durante a infância, AJ Lambert era muito próxima de seu famoso avô.

AJ Lambert e sua irmã mais nova passaram uma boa parte da infância no Rancho Mirage com Frank Sinatra. Quando pequena, ela frequentemente esbarrava com muitos dos amigos famosos de seu avô, como Gregory Peck. Ela também teve tempo para desenvolver seu próprio gosto musical e compartilhá-lo com seu avô.

Em uma entrevista com o The Guardian em 2019, AJ Lambert falou sobre como é ouvir as músicas de seu famoso avô:

"Quando eu o ouço cantando, ouço através de algum outro filtro. Eu ouço como fã, mas também como um ser humano que eu conheci."

Ela também desmentiu certos rumores de que sua infância teria sido uma loucura, tendo Frank Sinatra como avô e Nancy Sinatra como mãe. Disse ela:

"As pessoas acham que nós passávamos os dias cantando My Way e tocando o piano. Não era bem assim."

Uma conexão é criada

Nancy Sinatra Jr., Hugh Lambert (1971), (Ron Galella/Ron Galella Collection/Getty Images)

Embora tanto neta quanto avô tivessem grande amor e paixão pela música, o estilo não era o mesmo. AJ Lambert se apaixonou por músicas de bandas como Pink Floyd, Radiohead e Pulp. Ela lembra de uma vez que tocou a versão Sid Vicious da icônica canção "My Way" para o avô. Ele não ficou muito impressionado com a versão punk. Embora eles tivessem gostos musicais diferentes, ela amava muito seu avô e decidiu seguir seus passos.

A jovem participou de muitas bandas punk em sua juventude. Depois de algum tempo, ela começou a tocar as músicas de seu avô, chegando ao ponto de tocá-las em Las Vegas. Para Lambert, tocar as músicas do avô é uma maneira que ela tem de manter viva a relação deles.

Logo depois que seu tio Frank Sinatra Jr. faleceu, em março de 2016, AJ Lambert foi convidada para fazer um show em homenagem às músicas de Frank Sinatra, mas recusou, dizendo que não parecia certo uma mulher de 41 anos de idade cantar músicas como "Love and Marriage" e "My Way". Mas ela tinha orgulho da família e queria fazer algo para demonstrar isso. Foi quando ela começou a fazer shows de álbuns do catálogo do Sinatra, incluindo "In the Wee Small Hours" e "Only the Lonely".

Mas, apesar da conexão musical com seu famoso avô, Lambert entende a diferença entre o pessoal e o público. Para ela, diferenciar Frank Sinatra, o ícone, de Frank, seu avô, é algo que não é difícil de fazer. Ela disse ao The Guardian:

"Aí é que está. Ele sempre vai existir. É quase como se eles fossem duas pessoas diferentes para mim. Eu posso vê-lo como o ícone e posso vê-lo como a pessoa que ele era, e eles são muito diferentes, mas eu conheço os dois."

Esse é um grande exemplo do quanto a nossa família pode nos influenciar. A lembrança emocionante que A J. Lambert tem de seu avô, e sua escolha de honrá-lo através da música, é a prova de que as pessoas podem permanecer vivas nos corações de suas famílias por muito depois de terem partido.

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AJ Lambert (2018), (Bobby Bank/Getty Images Entertainment/Getty Images)

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