Fazer cócegas nas crianças pode ser prejudicial e, na verdade, nós sabemos muito pouco sobre o assunto

Os pais podem pensar que fazer cócegas nos filhos é apenas uma forma de brincar com eles, mas alguns estudos têm demonstrado que o ato de rir ou sorrir ao sentir cócegas não significa necessariamente que seja algo agradável ou divertido.

Um estudo de 2005, publicado pela Psychology Press, mostrou que apenas 32% dos participantes realmente gostavam de sentir cócegas, enquanto que a maioria de 36% disse que não gostava, e os 32% restantes relataram sentimentos neutros/mistos.

Por que é que nós rimos quando sentimos cócegas?

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O estudo tinha como objetivo definir se os sorrisos e/ou risadas frequentemente associados às cócegas eram realmente indícios de uma reacção positiva, ou apenas de uma reação reflexiva.

O estudo dizia que a crença de que as risadas resultantes das cócegas é resultado de divertimento se baseia na suposição de que elas são as mesmas risadas que ocorrem quando achamos alguma coisa engraçada. Mas é importante fazer uma distinção, pois o sorriso também pode acontecer quando alguém está experienciando outras emoções.

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Outros estudos também já haviam tentando explicar isso; um estudo em particular, conduzido pela Universidade da Califórnia em 1997, afirmou que:

"A resposta externa de uma pessoa às cócegas é igual ao riso provocado por uma diversão ou uma piada. Mas será que a experiência interior também é? Provavelmente não. A maioria das pessoas acha o riso resultante de uma piada agradável; porém, elas relatam que não gostam muito de sentir cócegas, e alguns adultos evitam-no ao máximo. Não há dúvidas de que sentir cócegas por um período prolongado de tempo pode ser extremamente desagradável. Existem relatos de que guerreiros medievais às vezes torturavam suas vítimas até a morte apenas fazendo cócegas insistentemente nelas".

Pode ser prejudicial?

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Embora as cócegas estejam associadas à diversão, elas já foram usadas como forma de tortura no passado. De acordo com o Huffington Post, esse era o método escolhido durante a Dinastia Han, pois causa uma quantidade substancial de sofrimento sem deixar marcas ou cicatrizes. Uma prática semelhante ocorria durante o Império Romano, onde as vítimas eram amarradas e tinham seus pés cobertos de sal, que seriam então lambidos por cabras. Até os nazistas o fizeram, usando penas para fazer cócegas nas suas vítimas.

Cócegas podem ser associadas a memórias negativas da infância.

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Vernon R. Wiehe, da Universidade do Kentucky, publicou uma extensa pesquisa sobre abuso entre irmãos e irmãs, e descobriu que os adultos frequentemente relatam que fazer cócegas é uma forma de abuso físico.

Uma das explicações é porque a vítima se torna incapaz de deter o perpetrador. Muitas vezes, embora a pessoa que está recebendo as cócegas peça explicitamente para a pessoa que está fazendo parar, o pedido não é levado a sério.

É uma questão de consentimento?

Em 2017, Alison Thewliss, membra ao Parlamento do Reino Unido, declarou que os pais deveriam parar de fazer cócegas nos filhos quando eles pedirem. Ela argumentou que, dessa forma, os pais seriam capazes de ensinar aos filhos sobre consentimento desde cedo.

Russell Brand também afirmou que achava que fazer cócegas em crianças é algo problemático, dizendo, inclusive, que seria capaz de dar um 'soco' em qualquer um que tentasse fazer cócegas em uma de suas filhas. Ele descreveu a ação de fazer cócegas como "uma tentativa de subverter a autonomia corporal da criança, de retirar-lhe o direito ao seu próprio espaço e à paz".

Você pode ver mais sobre o assunto no vídeo abaixo:

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